Quais os desafios que se colocam à Biblioteca Escolar e ao PB no contexto da web 2.0?

O advento da globalização da internet e o consequente ritmo alucinante com que as novidades tecnológicas vão surgindo e por vezes logo se tornando obsoletas será porventura um dos constrangimentos mais marcantes ao desenvolvimento do trabalho dos bibliotecários em contexto escolar, na maior parte dos casos pertencentes à geração dos chamados Imigrantes Digitais. É difícil acompanhar a cadência galopante com que se movem os nossos alunos nas tecnologias ao mesmo tempo que a tarefa de cativar novos utilizadores participativos se torna indissociável da função de professor bibliotecário.

A formação inicial dos educadores não prevê ainda uma pedagogia assertiva para lidar com estes novos seres tecnologicamente avançados mas muito carentes no âmbito do discernimento do que é verdadeiramente importante, útil e fidedigno em que se transformaram os nossos alunos. Continuamos portanto, a tentar encaixá-los nos moldes que conhecemos e eles, coitados, lá se vão acomodando desconfortavelmente, ou não. Obviamente que começamos já a dar os primeiros passos no sentido da adaptação a esta nova realidade; veja-se o caso da Escola da Ponte, onde os aprendentes evoluem ao seu próprio ritmo, mantendo o espírito de comunidade; mas muito ainda temos por fazer. Por vezes há resistência por parte dos educadores à mudança, neste aspeto em concreto há um certo sentimento de inadequação perante a tecnologia e alguma falta de flexibilidade em ceder o papel de detentor do conhecimento. Cabe às bibliotecas escolares colaborar neste trabalho de formação dos professores e de articulação entre o que se passa na sala de aula e o que poderá ser o ponto de partida para a construção do conhecimento por parte dos discentes.

O conceito de Biblioteca 2.0 abrange muito mais do que a simples inclusão das ferramentas da web 2.0 nas nossas bibliotecas. Tal como defende Furtado (2009), trata-se de uma atitude perante o funcionamento da biblioteca e não dos instrumentos utilizados. E este poderá ser o desafio mais sério que enfrentamos, pois se é fácil mudar os instrumentos tecnológicos ao nosso dispor, bem mais complicado é mudar atitudes. Não basta criar um blogue e usá-lo como veículo de divulgação das atividades da BE, é necessário promover a interação com os utilizadores, torná-los parte ativa na construção do saber disponível para todos, “o relevante é permitir, incentivar e aproveitar a participação de todos, pois na medida em que usam o produto contribuem para melhorar a qualidade do mesmo.” (Furtado, 2009, 138), e para isso é fundamental que se ofereçam serviços e temas de interesse para os utilizadores.

A Biblioteca 2.0 terá por isso que marcar a sua presença na escola e na sociedade, mas não basta estar presente na internet ou usar as ferramentas da web 2.0 para o conseguir. Será imperativo permitir ao utilizador que interaja e colabore na criação de um conteúdo que passa a ser dinâmico, nos seus próprios moldes e com as ferramentas com que se sente confortável.

Referências bibliográficas:

Furtado, C. Cassia. (2009, julho/dezembro). Bibliotecas Escolares e web 2.0: revisão da literatura sobre Brasil e Portugal. Porto Alegre: Em Questão, v.15,n.2, p. 135-150.

Maness, Jack M. (2007). Teoria da Biblioteca 2.0: Web 2.0 e suas implicações para as bibliotecas, Informação & Sociedade: estudos, v.17, n.1,jan./abr., 43-51, João Pessoa, Universidade Federal da Paraíba

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