A transversalidade das competências em TIC ao serviço das diferentes literacias

A filosofia que imperou na criação do documento As Metas de Aprendizagem TIC, de acordo com Costa (2010, p. 933) foi a de “desenvolver uma proposta que equacionasse e trabalhasse as competências em TIC enquanto estratégia de desenvolvimento dos indivíduos, quer numa perspectiva instrumental ‒ indivíduos mais bem equipados para as exigências do mundo do trabalho e da vida em sociedade‒, quer sobretudo numa perspectiva de desenvolvimento pessoal e social ‒ indivíduos intelectualmente mais fortes e socialmente mais autónomos e participativos.” Este documento surgiu também com o objetivo de ser utilizado de uma forma transversal no currículo de todos os ciclos de ensino durante os doze anos de escolaridade e pode funcionar como uma excelente ferramenta de apoio a todos os professores e aos professores bibliotecários, especialmente se articulado com o referencial “Aprender com a Biblioteca Escolar”.

O que me parece mais importante, para além das propostas de trabalho que apresenta, é o facto de prever o desenvolvimento integral dos alunos e de os preparar para a incontornável missão da Sociedade de Informação que é a de “aprender a aprender”; aprender a produzir conhecimento e a desenvolver novas competências essenciais para a aprendizagem ao longo de toda a vida.

Cruzando estes dois documentos de trabalho, as bibliotecas podem mais facilmente caminhar no sentido do desenvolvimento da autonomia intelectual dos alunos. Ambos os documentos propõe que o trabalho com os discentes se inicie no ensino pré-escolar, sugerindo atividades que estimulam a manipulação das ferramentas digitais, promovendo assim a familiarização das crianças com a tecnologia e ao longo de todos os ciclos de ensino. Ambos os documentos vão caminhando lado a lado no seu contributo para o desenvolvimento de alunos capazes nas diferentes vertentes da literacia. Veja-se também as áreas fulcrais de intervenção no documento das Metas de Aprendizagem TIC que facilmente se corelacionam com as Literacias constantes no referencial “Aprender com a Biblioteca Escolar”: a área da Informação/Literacia da Informação; as áreas da Comunicação e Produção/Literacia da Leitura; e a área da Segurança/Literacia dos Média.

Outro aspeto interessante oferecido por estes dois instrumentos de trabalho são as diversas possibilidades de interdisciplinaridade e a transversalidade de competências que abrangem. Os professores bibliotecários dispõe assim de um “manual prático” que os poderá motivar, talvez inicialmente, a experimentar algumas das atividades propostas e quiçá talvez posteriormente a conceber colaborativamente com os professores das diferentes áreas disciplinares as suas próprias atividades baseadas nas competências enunciadas nestes dois documentos.

As Metas de Aprendizagem TIC podem facilmente ser implementadas recorrendo à articulação com os professores de sala de aula quer cooperativa quer colaborativamente, cumprindo-se ainda simultaneamente a missão da biblioteca de contribuir para o desenvolvimento das aprendizagens dos alunos e dos níveis de sucesso que estes alcançam.

Cabe então à biblioteca escolar, eu diria mais uma vez, suprir a lacuna criada com a limitação curricular de um ano letivo (manifestamente insuficiente) atribuído às TIC e substituir-se às orientações emanadas superiormente que advogam princípios ideológicos de transversalidade mas que contradizem com a organização disciplinar estanque numa escola cada vez mais desatualizada e marcada por este novo “retrocesso” (Felizardo, 2015).

Referências Bibliográficas:

COSTA et al (2010). I Encontro Internacional TIC e Educação. Inovação Curricular com TIC. Lisboa. Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. (931-936). Disponível em http://aprendercom.org/miragens/wpcontent/uploads/2010/11/398.pdf

COSTA, Fernando et al. (2010). Metas de Aprendizagem na área das TIC. in DGIDC-ME (2010). Metas de Aprendizagem. Lisboa: DGIDC/ME. Disponível em http://repositorio.ul.pt/handle/10451/6567

FELIZARDO, Helena (2015). As metas de aprendizagem na área das TIC no contexto de desenvolvimento das literacias e das competências transversais. Pós-graduação em Gestão de Bibliotecas Escolares. ISLA.

PORTUGAL. Ministério da Educação e Ciência. Gabinete da Rede Bibliotecas Escolares: Aprender com a biblioteca escolar . Lisboa: RBE (2012) Disponível em http://www.rbe.min-edu.pt

Popplet

popplet

Uma das ferramentas que gosto de explorar em sala de aula com os meus alunos é o Popplet.

Esta aplicação permite-nos criar mapas conceptuais em tempo real na sala de aula (se tivermos ligação à internet) e quase substituiu por completo os exercícios de brainstorming que costumava fazer no quadro com os alunos.

Uma das funcionalidades que aprecio mais é o facto de permitir fazer o upload muito rápido de vídeos e imagens que por vezes mais facilmente explicam os conceitos a explorar e de ser de tão fácil utilização que transforma o que poderia ser uma aula mais expositiva numa interação constante.

Os alunos acrescentam sempre as suas sugestões e apreciam a dinâmica da ferramenta, construindo uma apresentação instantânea para os tópicos a explorar.

Outra forma de trabalhar com a ferramenta é o trabalho colaborativo pois permite adicionar colaboradores e criar material em conjunto a partir de casa.

Por último, a aplicação fornece um link de partilha e o trabalho facilmente pode ser disseminado.

A versão gratuita apresenta contudo uma limitação no número de popplets que permite gravar.

 

A Arca do Tesouro

Esta apresentação foi elaborada para acompanhar a narração do conto “A Arca do Tesouro” de Alice Vieira por Luís Miguel Cintra acompanhado pela Orquestra Metropolitana de Lisboa segundo a música de Eurico Carrapatoso. Foi aplicada às turmas do 3.º ano do agrupamento no âmbito da participação da BE na dinamização de atividades sobre as Metas Curriculares de Português.

Quais os desafios que se colocam à Biblioteca Escolar e ao PB no contexto da web 2.0?

O advento da globalização da internet e o consequente ritmo alucinante com que as novidades tecnológicas vão surgindo e por vezes logo se tornando obsoletas será porventura um dos constrangimentos mais marcantes ao desenvolvimento do trabalho dos bibliotecários em contexto escolar, na maior parte dos casos pertencentes à geração dos chamados Imigrantes Digitais. É difícil acompanhar a cadência galopante com que se movem os nossos alunos nas tecnologias ao mesmo tempo que a tarefa de cativar novos utilizadores participativos se torna indissociável da função de professor bibliotecário.

A formação inicial dos educadores não prevê ainda uma pedagogia assertiva para lidar com estes novos seres tecnologicamente avançados mas muito carentes no âmbito do discernimento do que é verdadeiramente importante, útil e fidedigno em que se transformaram os nossos alunos. Continuamos portanto, a tentar encaixá-los nos moldes que conhecemos e eles, coitados, lá se vão acomodando desconfortavelmente, ou não. Obviamente que começamos já a dar os primeiros passos no sentido da adaptação a esta nova realidade; veja-se o caso da Escola da Ponte, onde os aprendentes evoluem ao seu próprio ritmo, mantendo o espírito de comunidade; mas muito ainda temos por fazer. Por vezes há resistência por parte dos educadores à mudança, neste aspeto em concreto há um certo sentimento de inadequação perante a tecnologia e alguma falta de flexibilidade em ceder o papel de detentor do conhecimento. Cabe às bibliotecas escolares colaborar neste trabalho de formação dos professores e de articulação entre o que se passa na sala de aula e o que poderá ser o ponto de partida para a construção do conhecimento por parte dos discentes.

O conceito de Biblioteca 2.0 abrange muito mais do que a simples inclusão das ferramentas da web 2.0 nas nossas bibliotecas. Tal como defende Furtado (2009), trata-se de uma atitude perante o funcionamento da biblioteca e não dos instrumentos utilizados. E este poderá ser o desafio mais sério que enfrentamos, pois se é fácil mudar os instrumentos tecnológicos ao nosso dispor, bem mais complicado é mudar atitudes. Não basta criar um blogue e usá-lo como veículo de divulgação das atividades da BE, é necessário promover a interação com os utilizadores, torná-los parte ativa na construção do saber disponível para todos, “o relevante é permitir, incentivar e aproveitar a participação de todos, pois na medida em que usam o produto contribuem para melhorar a qualidade do mesmo.” (Furtado, 2009, 138), e para isso é fundamental que se ofereçam serviços e temas de interesse para os utilizadores.

A Biblioteca 2.0 terá por isso que marcar a sua presença na escola e na sociedade, mas não basta estar presente na internet ou usar as ferramentas da web 2.0 para o conseguir. Será imperativo permitir ao utilizador que interaja e colabore na criação de um conteúdo que passa a ser dinâmico, nos seus próprios moldes e com as ferramentas com que se sente confortável.

Referências bibliográficas:

Furtado, C. Cassia. (2009, julho/dezembro). Bibliotecas Escolares e web 2.0: revisão da literatura sobre Brasil e Portugal. Porto Alegre: Em Questão, v.15,n.2, p. 135-150.

Maness, Jack M. (2007). Teoria da Biblioteca 2.0: Web 2.0 e suas implicações para as bibliotecas, Informação & Sociedade: estudos, v.17, n.1,jan./abr., 43-51, João Pessoa, Universidade Federal da Paraíba